HUMOR NEGRO
Rachando o bico no velório.

Agora q a poeira abaixou, posso falar a pataquada q é um velório da minha família. Tive q ir em um no feriado de Páscoa...
- Teve um Tio q faz questão de anunciar q ficou com diarréia ao receber a notícia falecimento. Falou isso pra todos os parentes possíveis. Se bobear, até pro defunto.
- Fui atacado por abelhas malas-assassinas na hora de tomar um chá de estrada muitomuito doce, q minha tia tanto fez propaganda. As malditas abelhas ficavam zunindo perto do meu olho e do meu nariz, fazendo cócegas. Tive uma crise de riso nervoso. Desisti do chá.
- Conversando com minha prima, as tias me olham e pensam q estou sozinho, pq eu tava escondendo a prima. Ou eu tô gordo ou ela tá magra ou a tia tá ficando cega.
- A Excursão pelo cemitério foi boa. Família Addams perde. Além dos túmulos de praxe da família, encontrei túmulos do outro ramo da minha família e de famílias de amigos, conversando animadamente com os outros parentes (vivos) sobre coisas da vida e da morte, enquanto esperávamos o enterro. É bem assim... tá no inferno, abraça o capeta!
-O Tio q gosta de contar piadas encontra a Tia q gosta de ouvir piadas e riem escandalosamente... Acho q todo velório tem uma dupla dessas, né? São minhas figurinhas favoritas.
- Tem tbm os velhos clichês das tias velhas apertando minha bochecha e lembrando q me carregou no colo, me deu banho, limpou minha bunda e outros micos mil. Daí, o susto com o priminho q virou primão. E vc se sente velho...
- Finalmente, uma das tias reclama: “Caralho, isso aqui tá parecendo festa!!! Ah, se eu fosse o defunto, eu levantava e falava `Porra, isso aqui é meu velório!!!´, cacete!” (Foi com essa tia q aprendi a falar palavrões.)
No fim de tudo, na contagem dos corpos, assumo: Por piores q sejam as circunstâncias, curto muito um velório!
KILL BILL Vol.1
A Roaring Rampage for The Bride’s Bloodiest Satisfaction... REVENGE!
COOL! LEGAL! BACANA! MANEIRO! FODÃO! MARAVILHOSO!
Kill Bill Vol.1 é um exercício de estilo; tesão de filme para assistir várias e várias vezes. Esse filme não pretende contar uma história reflexiva. É puro estilo, com movimentos de câmera virtuosos, contempladores e imagens recriadas e re-imaginadas q homenageiam toda a fonte de cultura pop de Tarantino. Desde Bruce Lee até Godzilla, passando por filmes de terror splatter, faroestes, HQs e animes.
Kill Bill foi feito para fazer nossa adrenalina subir ao nível máximo, explodir e sairmos chutando tudo, rindo.
Apenas Tarantino para conduzir essa tragicomédia. A violência é caricatural e divertida, mas contrasta com a interpretação dos atores, q atinge um teor dramático incrível e inesperado.
A Noiva, ou Mamba Negra, ou *-Beep!-*, é uma personagem deliciosa! Vingativa, cativante, misteriosa, sexy, determinada, honrada. Ainda assim, fiquei com medo dela no Capítulo 1 do filme, tamanha agressividade! Imagina... atender a porta e levar um socão! Mas o modo respeitoso com q ela contempla as espadas, versão adulta do olhar “criança-em-loja-de-doces”, é o momento mais cutch-cutch do filme.
Fui remetido à minha infância afundado em gibis e Sessão Aventura. Aquela q luta com a espada samurai! Aquela q é boa com facas! Aquela q luta com a corrente! Personagens definidos por suas armas e habilidades... Fala q não é diversão pura? Diversão de uma forma q só Tarantino poderia nos trazer. Aqui, a violência é cartunesca. (Se bem q o momento em anime do filme é bem barra-pesada. Paradoxos, paradoxos...)
A grande luta do filme, comprida, suada, nervosa, com Mamba Negra abrindo seu caminho a espadadas, é tudo o q Matrix Reloaded tentou fazer em computador e não conseguiu. É muito engraçado ver aquele povo patinando no próprio sangue, deixando seus membros para trás.
E, como sempre, num filme de Tarantino, a trilha sonora é um espetáculo a parte. Músicas antigas q grudam em nosso inconsciente coletivo pop; temas de seriados homenageados e até música da novela das 8 (Não q Tarantino saiba disso...). Música muito bem encaixada no filme, pra nos deixar a toda. Chega a arrepiar.
A Noiva revelou-se um dos personagens mais carismáticos do ano e sinônimo de mulher vingativa. Com esse filme, Tarantino prova q é o grande mestre do pop. Ele consegue subverter, moldar e dobrar o Pop a seu bel-prazer, provando q ainda tem muito o q mostrar. Ele joga na nossa cara q nada se cria, tudo se copia... É Antropofagia Cinematográfica.

Agora... Em Outubro, a conclusão da saga! Kill Bill Vol.2 foi ovacionado de pé por cinco minutos em sua exibição-teste... AAARGH! E eu q pensei q podia morrer em paz já... Q venha a Noiva!
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